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Coros do Anelo: 2021 traz a perspectiva de consolidação e evolução do trabalho

Se 2020 foi um ano desafiador e de superação para os três coros do Instituto Anelo (Infantil, Juvenil e Adulto) devido à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), 2021 nem bem começou mas já traz a perspectiva de consolidação e evolução de um trabalho que vem sendo feito com muito carinho e dedicação desde 2018.

“O repertório ainda não está fechado, mas, se conseguirmos voltar a nos reunir presencialmente, gostaria de valorizar a experiência de estar junto, do afeto, da distância, falar do cotidiano e refletir sobre como foi 2020”, diz a regente Julia de Toledo Piza Furlan, à frente desse trabalho desde 2018, e que atualmente conta com a parceria do pianista correpetidor Silas de Araújo.

Para Júlia, 2020 vai ficar marcado pela ruptura muito grande que trouxe, e vai ser lembrado por todo o aprendizado que proporcionou. Ela conta que, no início do ano que passou, o Instituto Anelo formou uma base forte de canto coral, com três coros (até 2019 eram dois grupos: Infantojuvenil e Adulto) e ensaios presenciais.

Júlia de Toledo à frente do então Coro Infantojuvenil em apresentação realizada em dezembro de 2019 (FOTO: Edis Cruz)

“Tivemos um mês de fevereiro muito bom e produtivo para os três coros. Mas março trouxe a pandemia e ficamos sem chão. Os ensaios passaram a ser on-line. Tivemos algumas dificuldades por conta do acesso à internet e perdemos alguns alunos nessa transição, infelizmente”, lembra a regente.

Contudo, a adaptação a essa nova realidade levou os grupos a um outro patamar. “Eu, como coralista, preciso conhecer a minha voz. Quando não tenho o colega do lado, preciso aprimorar não apenas a voz, mas o ritmo, a afinação, porque estou sozinho em casa”, explica a regente, que revela ter comemorado muito cada vídeo responsivo que recebeu dos alunos.

Silas de Araújo, que começou a trabalhar no Anelo pouco tempo antes do início da pandemia, logo de cara teve de encarar o desafio do ensino remoto, algo novo para ele. “Minha experiência presencial durou em torno de dois meses, mas já foi tempo suficiente para sentir como cada coral se desenvolveria durante o ano”, afirma.

Ele diz que, apesar de ter desejado profundamente que as aulas seguissem presenciais, tem consciência de que o ensino on-line foi a melhor solução. “Toda essa experiência serviu para que eu voltasse meu olhar para além da música, entendesse as necessidades, dificuldades e particularidades de cada aluno, questões que o ensino presencial deixa passar sem muita atenção.”

DIVISOR DE ÁGUAS

O primeiro fruto dessa fase de aulas e ensaios remotos foi a produção do vídeo com a música Alguém Cantando, de Caetano Veloso. A gravação abriu caminho para a realização do espetáculo virtual Cada um no Seu Canto, feito em parceria com a jornalista Edlaine Garcia, profissional da EPTV, emissora afiliada à Rede Globo em Campinas.

A montagem, lançada no canal do Instituto Anelo no YouTube em dezembro, uniu música, poesia, contação de histórias e foi, nas palavras de Júlia, um divisor de águas para os coros do Anelo. Tanto que ela acalenta o desejo, em caso de retorno dos ensaios presenciais, remontar o espetáculo para o formato de palco.

Silas de Araújo avalia que Cada um no Seu Canto foi um desafio que despertou para a abordagem de um ensino remoto com as limitações que a plataforma, os alunos e até os próprios professores têm. “Mas com o objetivo de desenvolver o melhor trabalho possível dentro daquela realidade”, ressalta.

Silas de Araújo, pianista correpetido dos coros do Anelo desde 2020 (CRÉDITO FOTO: Nina Pires)

Para ele, transpor o espetáculo do mundo virtual para o real seria uma oportunidade para abordar outras técnicas do canto coral e ideias de performance que as limitações do ensino on-line não permitem. “Expandir os olhares sobre o mesmo tema abre a possibilidade de os alunos desenvolverem suas habilidades musicais em um novo espectro, mas com algumas ferramentas em mãos, já que podemos recordar que, apesar das dificuldades vividas, tudo o que aprendemos em 2020 é válido e levaremos para o resto de nossas vidas.”

Vale destacar, também, que 21 integrantes dos coros do Instituto Anelo participaram da gravação do vídeo com uma nova versão de Comida, sucesso da banda de rock Titãs, junto da Orquestra Anelo e dos integrantes do grupo.

NOVO ANO LETIVO

Por enquanto, neste início de 2021, o trabalho dos coros segue virtual. Dos três grupos, apenas o Juvenil retomou as atividades em janeiro. A primeira aula ocorreu no dia 23 com a participação de 16 alunos e, segundo Julia, consistiu em duas horas de ensaio com muita técnica vocal.

Como dito acima, o repertório de 2021 ainda não está definido, mas Júlia revela que a primeira música a ser trabalhada com o grupo Juvenil é Canções e Momentos, de Milton Nascimento. “É uma música sobre cantar junto, em uma só voz, e que resume essa vontade de se reunir presencialmente”, afirma a regente.

Assim como Júlia, Silas sonha com o retorno dos encontros presenciais. “É bom fazermos música em coletividade”, diz. E completa: “Mas, independentemente da maneira que o ensino ocorra, que continuemos fazendo a nossa música certos de que todos os nossos encontros surtam efeitos individuais e também no todo, fazendo diferença na vida de quem participa e daqueles que nos ouvem”.

VOCÊ SABIA?

  • Júlia de Toledo Piza Furlan começou a cantar em coro aos 6 anos, no projeto Canarinhos da Terra – Unicamp, grupo do qual fez parte até os 16 anos. Ela é graduanda em Música pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e é técnica em Canto Popular pelo Conservatório Carlos Gomes. No ano passado, também esteve à frente do Coral do Cotuca (Colégio Técnico de Campinas).
  • Silas de Araújo cantou em coros infantis da igreja. Formado em Piano Erudito pelo Conservatório Municipal de Guarulhos (SP) e graduando em Piano Popular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele voltou a se envolver com canto coral em 2018, trabalhando em escolas, igrejas e núcleos culturais, ora como pianista correpetidor, ora na regência.