Filipe, Vinicius, Luccas, Josias, Tércio, Deivyson e Louback viajam no dia 24/6 (FOTO: Lalá Ruiz)
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Grupo do Instituto Anelo participa de festival na África do Sul

No próximo dia 24 de Junho, um grupo de sete músicos do Instituto Anelo, de Campinas (SP), embarca para a África do Sul para participar pela primeira vez do Standard Bank National Youth Jazz Festival. Trata-se de um seminário e festival de música que será realizado entre os dias 26 de Junho e 1º de Julho de 2019 na cidade de Makhanda (antiga Grahamstown), que fica a 857 quilômetros da Cidade do Cabo e a 837 quilômetros de Joanesburgo.

O grupo que viaja reúne músicos experientes e jovens talentos que atuam como educadores e colaboradores do Instituto Anelo, uma associação sem fins lucrativos que oferece aulas de música no distrito do Campo Grande, periferia de Campinas. São eles: Deivyson Fernandes (piano), Filipe Lapa (bateria), Josias Teles (baixo), Luccas Soares (voz e acordeon), Marcelo Louback (saxofone), Tércio Pereira (percussão, flauta e saxofone) e Vinicius Corilow (saxofone e flauta).

Já o Standard Bank National Youth Jazz Festival é um dos mais importantes programas de desenvolvimento do jazz na África do Sul. Este ano vai reunir 350 estudantes e 50 professores sul-africanos, mais 90 músicos e educadores de diversas nacionalidades. Além de participar de cursos, o grupo de Campinas dará dois workshops (um sobre ritmos brasileiros no dia 28/6 e outro sobre música instrumental brasileira no dia 1º/7) e fará um show no dia 29/6.

De acordo com Luccas Soares, fundador e coordenador do Instituto Anelo, o convite para participar pela primeira vez do Standard Bank National Youth Jazz Festival chegou à instituição por intermédio do pianista, acordeonista, compositor e arranjador Guilherme Ribeiro. Ele é regente da Orquestra Anelo, big band formada por professores, alunos e colaboradores do Anelo, e será um dos professores do festival em Makhanda.

“Um convite como esse requer uma preparação, não só do Instituto Anelo como também dos músicos. Para o Instituto significa que os nossos músicos, que a qualidade de ensino do Anelo, têm um nível importante. É um festival renomado, é um festival que tem tradição, é para mais de 300 alunos. E além de participarem do curso, os músicos do Anelo também vão para ensinar. Isso é muito legal, ou seja, o Anelo está indo para aprender e para ensinar”, afirma Luccas.

Fora isso, lembra o coordenador, há o ganho com o contato com outra cultura e a questão da organização financeira por parte dos músicos – todos estão bancando as próprias despesas com a realização de shows, rifas e bazares, entre outras iniciativas. Além disso, alguns viajarão pela primeira vez. “É uma viagem de formação, não é uma viagem de turismo. Vai ser um ganho para o currículo tanto do Anelo como dos músicos. Está todo mundo ansioso”, diz Luccas.

Segundo ele, um desafio grande vai ser o idioma, o que reafirma a necessidade do ensino de inglês no Anelo. “Todo mundo está preocupado em falar inglês”, revela. Ele também acredita que a viagem é uma quebra de barreira ao possibilitar que jovens da periferia da cidade alcancem outros horizontes e tenham uma experiência fora do seu ambiente. “O jovem é da periferia, mas ele não precisa viver exclusivamente ali, ele pode conhecer o mundo, a música possibilita isso.”

E completa: “Se a gente pegar quantos jovens da região do Campo Grande, que já tem quase 200 mil habitantes, que têm essa oportunidade de viver uma experiência internacional, o número é quase zero”. Pessoalmente, Luccas Soares revela a ansiedade de conhecer o país do Nelson Mandela (1918-2013), o grande líder da África Negra. “Tem uma importância muito grande. Tem uma coisa muito especial por tudo o que o Mandela significa e pelo que já aconteceu por lá.”

Quem são os integrantes da Banda Anelo que viajam para a África do Sul:

DEIVYSON FERNANDES

Deivyson Fernandes tem 24 anos e é produtor musical, pianista e compositor. Músico desde os 6 anos de idade, vem de uma família de músicos – seu pai foi seu primeiro professor. Teve algumas bandas na adolescência, mas decidiu tornar-se músico profissional quando ingressou na Orquestra da igreja que frequentava.

Aos 18 anos começou a tocar na noite e integrou por dois anos um grupo chamado Banda Mandalas. Tocou com artistas gospel como Marquinhos Gomes, e também com artistas da região de Campinas, como José Paulo (regente da Orquestra da cidade de Cosmópolis) e Marcelo Louback. É professor no Instituto Anelo e faz parte da Orquestra Anelo.

FILIPE LAPA

Filipe Lapa tem 21 anos e estudou bateria no próprio Instituto Anelo, entre 2007 e 2012. Depois, de 2013 a 2014, estudou no Conservatório Souza Lima, na cidade de São Paulo. Em 2013, fez parte da banda do musical O Despertar da Primavera, apresentado em Campinas. No ano seguinte, participou da gravação do CD Banda Anelo – Vila dos Meninos.

Em 2017, esteve no Arcevia Jazz Feast em Arcevia, na Itália, quando tocou com Mike Rossi na Big Band do festival. Trabalhou com músicos reconhecidos de Campinas, tais como o pianista Albano Sales e o multi-instrumentista Ricardo Matsuda. Estuda bateria com Bruno Tessele e de prática de banda com Felipe Silveira e Paulinho Vicente. É professor do Anelo e faz parte da Orquestra Anelo.

JOSIAS TELES

Tem 31 anos e é músico desde 2005. Começou tocando violão e guitarra, tendo estudado com os professores Manassés Lima e Fernando Baeta, entre outros. Participou do curso livre de música na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no projeto Unibanda, e trabalhou como músico free lancer acompanhando artistas da região de Campinas.

Trabalhou como produtor musical e começou a tocar contrabaixo em 2011. Atualmente, entre outras atividades, trabalha como produtor e arranjador no estúdio IMEC, em Campinas; como produtor musical do cantor Fabio Ferrari; é professor de contrabaixo e violão no Instituto Anelo; além de integrar a Orquestra Anelo.

LUCCAS SOARES

Luccas Soares tem 39 anos e é fundador e coordenador do Instituto Anelo. Começou a tocar teclado aos 17 anos, como autodidata. Teve aulas de piano e acordeon com o compositor e maestro Guilherme Ribeiro. Estudou no Conservatório Dramático e Musical Dr Carlos de Campos de Tatuí (SP), um dos mais prestigiados do Brasil, e no Conservatório Souza Lima, em São Paulo (SP).

Fundou o Instituto Anelo em 2000. Também trabalhou como professor de música na cidade de Valinhos. Participou do Arcevia Jazz Feast, na Itália, nos anos de 2015 a 2018, tendo estudado com nomes de destaque como a cantora italiana Susanna Stivali.

MARCELO LOUBACK

É graduado em Música Popular Brasileira e Jazz pelo Conservatório Dramático e Musical Dr Carlos de Campos de Tatuí (SP), onde foi aluno de Vinícius Dorin, David Richards, Roberto Sion, Paulo Braga, Mario Campos e maestro Branco. Gravou, com o Marcelo Louback Trio, o CD Contra Mão. Também lançou o CD solo Instrumental Gospel, com Hinos da Harpa e Cantor Cristão.

Aos 41 anos, já se apresentou com artistas como André Marques, Cleber Almeida, Baterista Nenê, Mônica Salmaso, Chico César, Mazinho Quevedo e Toquinho, entre outros, além de ter participado da gravação de mais de 80 CDs ,DVDs, programas de TV e rádio e festivais nacionais e internacionais de música. É integrante da Orquestra Anelo.

TÉRCIO PEREIRA

Tem 39 anos. Participou do curso livre de música na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no projeto Unibanda, onde aprendeu teoria musical, saxofone e flauta transversal. Tocou na Orquestra da Unicamp e na Banda Carlos Gomes, ambas da cidade de Campinas, e estudou MPB/Jazz no Conservatório Dramático e Musical Dr Carlos de Campos de Tatuí (SP).

Estudou no Conservatório Souza Lima, em São Paulo (SP). Também é formado em Áudio Digital, Pedagogia e é arranjador. Participou do Arcevia Jazz Feast na cidade de Arcevia, na Itália, em 2015 e 2016. Atualmente é professor/educador do projeto Prática de Banda, do Instituto Anelo, além de fazer parte da Orquestra Anelo.

VINICIUS CORILOW

Saxofonista, flautista, clarinetista e arranjador de 32 anos, teve aulas com Flávio Corilow e com Celso Veagnoli, este último na graduação do curso de Música Popular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Participou de workshops e aulas em festivais com Mané Silveira, Vitor Alcântara, Mike Tracy (USA) e outros.

Muito atuante no cenário do jazz e da música popular brasileira instrumental em Campinas e São Paulo, participa de vários grupos e já atuou com nomes importantes, tais como Airto Moreira, Toquinho, Fawzi Berger (França) e Orquestra Sinfônica de Campinas. Atualmente é professor e coordenador musical do Instituto Anelo, além de fazer parte da Orquestra Anelo.